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Ficheiro Agosto 2008

Troféus Grammy na estante? Sim.

Cinema particular em casa? sim.

Artefatos judaicos? Sim.

Espere aí. O astro country foi criado como batista, mas ostenta um candelabro judaico sobre sua lareira e um livro em hebraico numa mesinha de café.

Para intensificar a confusão intercultural, o "Rhinestone Cowboy" começa a cantar "Jeee-sus ... me ajude a encontrar meu lugar especial".

Não é um hino, nem uma oração. É um verso de uma canção antiga da banda de rock dos anos 1960 Velvet Underground.

"Jesus" é uma das faixas do primeiro álbum lançado em 15 anos pela Capitol Records pelo cantor semi-aposentado de 72 anos, "Meet Glen Campbell" (chegará às lojas em 19 de agosto), em que ele canta covers de canções do U2, Green Day, John Lennon e Foo Fighters, entre outros.

Campbell revela que ele e sua mulher, Kim, frequentam a sinagoga local aos sábados e celebram os feriados judaicos, como Páscoa, Rosh Hashanah e Hanukkah, mas também comemoram o Natal.

JUDEUS MESSIÂNICOS

Campbell e sua mulher são há 20 anos seguidores do judaísmo messiânico, movimento religioso cujos integrantes se consideram judeus, mas que são vistos por outras denominações judaicas como essencialmente cristãos evangélicos.

"Somos judeus que acreditamos que Cristo é o salvador renascido", explicou Campbell.

Tudo isso é muito distante da Igreja de Cristo, a pequena igreja batista frequentada por sua família na zona rural do Arkansas quando ele era criança.

Os instrumentos musicais eram proibidos na igreja e os cantos eram terríveis, então o jovem Glen e seus amigos iam às escondidas à igreja dos negros, "que nos deixavam olhar pela janela. Era incrível. Sinto saudades disso".

Em sua nova igreja, cantam-se canções de todos os tipos, mesmo algumas em hebraico, que são um desafio para os Campbell.

Foi muito mais fácil para Glen Campbell cantar o rock de "Good Riddance (Time of Your Life"), do Green Day, "Times Likes These", dos Foo Fighters, e "All I Want Is You", do U2, tanto que ele gravou o novo álbum em apenas três semanas.

O trabalho pesado foi feito pelo produtor do álbum, Julian Raymond, que, atendendo a pedido da Capitol, fez a proposta a Campbell e seu empresário e escolheu as canções.

Raymond recorda que Campbell vinha ao estúdio depois de uma partida de golfe, fumava um charuto, gravava uma canção e voltava para casa.

À primeira vista, o projeto lembra um pouco a ressurreição de Johnny Cash nos anos 1990, quando o produtor Rick Rubin apresentou o ídolo country, então semi-esquecido, a um público mais jovem e antenado, com uma série de álbuns sombrios incluindo versões enxutas de canções de bandas de rock como Nine Inch Nails e Soundgarden.

Mas Glen Campbell não está pensando em voltar com força ao cenário musical. Ele vem dando algumas entrevistas e talvez faça alguns shows especiais. Mas nada que atrapalhe seu jogo diário de golfe no Malibu Country Club às 8 da manhã.

Quanto a fazer outro álbum - "francamente, não quero pegar em seu pé para fazer mais nada", disse Raymond.
   

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A informação é da coluna Outro Canal, de Daniel Castro, publicada na Folha de hoje, que está nas bancas.

O procurador disse à coluna que o Super Leilão "nada mais é do que um jogo de azar" disfarçado de leilão invertido. No ar há quase um ano, o Super Leilão promete prêmios como carros a quem ligar para um telefone de prefixo 0900 e oferecer "o menor lance único". A ligação custa R$ 4,00, mais impostos. Band e Rede TV! têm ações parecidas.

A Record argumenta que apenas veicula o Super Leilão, como uma publicidade. Diz que seu cliente é uma empresa chamada Total Spin Brasil.
   

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Apontada como amante de Jesus Cristo na obra ficcional, a discípula, que era uma de suas mais próximas seguidoras – segundo o Novo Testamento, ela esteve com ele ao pé da cruz e foi uma das primeiras a testemunhar a ressurreição do Mestre – já “ganhou” até filhos no imaginário literário.

E o pai, especulam, teria sido ninguém menos que o Filho de Deus. Embora não haja qualquer indício bíblico de que os dois tenham tido qualquer proximidade amorosa, tais suposições, que já vêm de muitos séculos, ganharam corpo nos últimos anos, através do estudo de textos apócrifos, e foram alimentadas por uma boa dose de imaginação, interesses e conflitos entre organizações religiosas.

Pois agora especialistas nas Escrituras têm trazido a público novos elementos capazes de refutar definitivamente a tese do romance. “Os textos que mencionam esse tipo de envolvimento entre Madalena e Jesus foram escritos pelo menos 100 anos depois dos evangelhos bíblicos”, aponta Ben Witherington III, especialista em Novo Testamento do Seminário Teológico Asbury, nos Estados Unidos. E a intenção de tais autores seria justamente combater visões mais ortodoxas do Cristianismo, então em fase de franca expansão. A maioria dessas fontes foi escrita em grego ou em copta, língua egípcia falada durante o período romano.

Uma das mais conhecidas é o "Evangelho de Filipe", escrito extra-bíblico provavelmente compilado no século 3 da Era Cristã – portanto, não escrito por nenhum contemporâneo de Jesus – e que fala até em beijos entre o suposto casal. Todos esses textos compartilham a teologia gnóstica, baseada numa espécie de revelação secreta e esotérica. Com isso, Maria Madalena passou a ser usada pelos gnósticos como um símbolo do “conhecimento verdadeiro” que teriam de Jesus, e como a verdadeira predileta de Cristo, da qual eles seriam seguidores. Esse aspecto polêmico e tardio de tais textos torna bastante improvável que haja em seu conteúdo alguma memória histórica envolvendo a Madalena real. Inclusive, o gnosticismo era combatido pela comunidade do Cristianismo, que seguia os ensinos de apóstolos como Pedro e Paulo.

“Pesquisas sem seriedade” – Mas quem foi Maria Madalena? Além do que se diz dela na Bíblia, particularmente no Evangelho de Lucas, a tradição afirma que, devido ao nome por que era conhecida (Magdalini, em grego), ela provinha de Magdala, vilarejo de pescadores a noroeste do Mar da Galiléia. Provavelmente, começou a seguir Jesus depois que ele expulsou dela sete demônios – fato que, segundo os historiadores, colaborou para disseminar sua imagem de “pecadora arrependida”. Ao contrário de muitos rabis de seu tempo, Jesus era seguido também por mulheres. “Duas das qualidades extraordinárias de Jesus são o fato de que ele recrutava seguidores de ambos os sexos”, continua Witherington. Além de Madalena, havia Maria, mãe de Jesus; outra Maria, mãe de Tiago; Maria de Betânia, irmã da Marta e Lázaro; além de Joana, Suzana e outras. Contudo, é fantasioso imaginar que alguma delas tenha tido papel de destaque em seu ministério.

Todavia, a cultura judaica da época impedia que as mulheres ensinassem ou mesmo falassem em público. É certo que o grupo feminino acompanhava a comitiva para suprir necessidades básicas como alimentação e abrigo, inclusive com seus bens. O fato seria considerado escandaloso pelos judeus do século I, para quem as mulheres deveriam ficar em casa com seus maridos e, quando viajassem, teriam de ser acompanhadas por parentes do sexo masculino. Daí teriam surgido as insinuações de uma relação mais próxima entre Jesus e a mulher de Magdala – hipótese rechaçada pelo padre John P. Meier, professor da Universidade de Notre Dame, em Indiana (EUA) e autor dos livros da série Um Judeu marginal: “Embora o Novo Testamento cite claramente a família de Jesus, como seus pais e irmãos, não há nenhuma referência de que ele tenha tido filhos ou mesmo se casado”, lembra, embora o casamento fosse considerado quase uma obrigação religiosa no primeiro século. Para Meier, Jesus manteve-se celibatário como sinal do compromisso exigido por sua missão.

A historiadora e arqueóloga Fernanda de Camargo-Moro, autora do livro Arqueologia de Madalena (Editora Record), lembra que as mulheres de então eram conhecidas pelo parentesco com alguma outra pessoa – normalmente, o marido, cujo nome era associado ao delas. “É possível até que ela nem tenha se casado com ninguém, já que sua alcunha é uma mera referência ao lugar onde nasceu”, opina. “Concluir que Maria Madalena era casada com Jesus é resultado de pesquisas superficiais e sem seriedade”, conclui.  

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