Educação sexual: Lula critica hipocrisia religiosa mas desaprova excesso de sexo na TV

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira a “hipocrisia religiosa” em relação a temas ligados a educação sexual de crianças e adolescentes. Ele defendeu que pais e escolas tratem do tema abertamente com os jovens ao discursar na abertura de evento sobre exploração sexual que acontece no Rio.
Para Lula, a educação sexual dentro de casa é tão importante quanto a alimentação. “É preciso acabar com a hipocrisia religiosa de não permitir que temas importantes como este sejam tratados à luz do dia”, afirmou o presidente, ressaltando que o recado vale para todas as religiões.
“A exploração sexual é um tema tão importante para a humanidade que não pode ser tratada com hipocrisia. Permitir crimes deste tipo de crimes é uma vergonha para a espécie humana”, afirmou Lula.
Em seu discurso na abertura do 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o presidente anunciou a sanção do projeto de lei que regulamenta crimes de pedofilia na internet. O projeto, que estabelece punições mais rigorosas contra a pornografia infantil e crimes de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes na web, foi aprovado pela Câmara no dia 11 deste mês.
Devido ao vazio legal que até agora existia nestes casos, a polícia só podia incriminar os pedófilos se os detivesse em flagrante distribuindo pornografia infantil.
Segundo dados do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), a posse de conteúdo de pedofilia só é considerada crime em outros três países da América: Canadá, Chile e Paraguai.
Televisão
O presidente também voltou a criticar a programação dos canais de televisão no país. Para Lula, as informações passadas pelos meios de comunicação contribuem para o processo de “degradação da humanidade”.
“Quem tem TV a cabo sabe do que eu falo. É sexo de manhã, de tarde e de noite. É violência de manhã, de tarde e de noite. Quantos programas culturais nós temos nas televisões para que as crianças possam ver?”, disse o presidente.
O presidente disse acreditar que os abusos sexuais cometidos contra crianças não são “uma questão de pobreza, mas do processo de degradação ao qual a televisão, que mostra sexo e violência de manhã, de tarde e de noite, submete a humanidade”.
Aos participantes do congresso, Lula pediu que as conclusões que forem alcançadas “não sirvam apenas” para ampliar o “debate no próximo congresso”, mas que sejam transformadas em um “instrumento de combate” à violência sexual contra menores.
Até sexta-feira, o congresso –que já foi sediado também na Suécia (1996) e no Japão (2001)– vai receber cerca de três mil representantes de 114 países, que debaterão as diferentes políticas públicas existentes contra os abusos sexuais de menores.
Após o evento, Lula se dirigiu ao Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governo do Rio, onde participa de um jantar com o governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB) e o presidente russo Dimitri Medvedev.





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